Photo by António Gregório
"I would never die for my beliefs because I might be wrong."

Bertrand Russel, british mathematician & philosopher (1872 - 1970)








































MJLF, No fio de Ariadne #6
MÉTODO PARA A VIDA NO LABIRINTO

Uma vez transposto o umbral não olhar para
trás porque a vertigem é comparável à
das alturas cravando as unhas do alpinista
na rocha num anelo espiralado de
imobilidade; seguir a rota da
falência da luz exterior até
que o crepúsculo deixe vislumbrar a outra
que mana do centro. Atenção: não se pretende
chegar lá – ela cega queima desintegra –
sequer o retorno – nas paredes há nichos
com víveres para mais de cem anos – mas
a vida iluminada pelas duas fontes.

António Gregório

Roubado à João

David Hockney
"E agora apetecia-me falar um pouco de ti, aproveitando a circunstância de te não estar a amar. Apetecia-me. Dizer da tua obsessão policial de quereres saber tudo, explicar tudo. Dizer da tua obsessão de entender no que eu fazia, porque é que, como é que, para que é que. De recusar a cada um o direito à propriedade privada de si."

Vergílio Ferreira, Em nome da terra


Photos by Luke Smalley
Caminho sem pés e sem sonhos
só com a respiração e a cadência
da muda passagem dos sopros
caminho como um remo que se afunda.

Daniel Faria

Via
Photo by Daniel Van Flyman
"As utopias parecem ser bem mais realizáveis do que se poderia acreditar antigamente. E nós encontramo-nos actualmente diante de uma questão angustiante de maneira bastante diversa: como evitar a sua realização definitiva?... As utopias são realizáveis. A vida caminha em direcção às utopias. E começa um novo século, talvez um século em que os intelectuais e a classe cultivada sonharão com os meios de evitar as utopias e retomar a uma sociedade não-utópica, menos 'perfeita' e mais livre."

Nicolas Berdiaeff





Photo by Daniel Van Flyman
«(...) Pequeno país do
gasóleo e do futebol, memórias
de mercados e feiras buliçosas,
de escolinhas rústicas, agora desertas,
com a cruz e os presidentes na parede,
pequeno país de bravia
palavra, sofrida crueza
de mato ardido e estrumes, sucatas,
detritos, o hábito endurecido dos
pequenos holocaustos
diários.»

Inês Lourenço, Logros consentidos (& etc, 2005)
Photo by Daniel Van Flyman
Caminho aflito na denúncia de mapas e navios
apanho meus gestos e cumpro o luto
e confirmo gentes casas e o dia a dia
exactamente as vozes sobre os portos
de borco a extinguir-me
demasiado hoje
excedida ausência no escuro
(e aspiro-te na fenda dos ventos
esperando contigo o esquecimento das idades
suspenso na surpresa dos teus olhos
a flor das mãos tecendo fontes no teu corpo).


António Aragão, Poema Primeiro (1962)

Photo by Daniel Van Flyman
THOMAS BERNHARD

Dediquei-lhe um poema, há mais
de dez anos, para o qual certamente
se estaria nas tintas, se o lesse. É
um dos raros escritores que conseguiu
a difícil lucidez de detestar a pátria, essa
obrigatória e durável fonte de equívocos
e mal-entendidos. Por isso
ele gostava de passar temporadas
em Portugal, não pelo mar, nem
pela comida, nem pelos modos
amigáveis para turistas, mas sim
porque podia escutar uma língua
sem ter de entendê-la.

Inês Lourenço, Logros Consentidos (& etc, 2005)

(Retirado do Facebook | Notas escritas por António Gregório)






















Wes (Falling), Moonmilk, 2008, by Ryan Mcginley
"...V. que nesse tempo ainda andava em fuga
de colhão para colhão do seu pai,
para ver se escapava a ser filho da puta..."
E é isto: andam de colhão para colhão
a ver se escapam - e muitos não escapam.
E os outros não escapam aos que não escaparam.

Jorge de Sena in Caliban 3/4, 1972

Poema retirado daqui.

Blood Falls, Moonmilk, 2008, by Ryan Mcginley
«Dizem que a farda é a melhor das mortalhas.»
«Uma porra. Quem diz isso?»
«Os poetas.»
«Cago nos poetas.»

Fernando Assis Pacheco, Trabalhos e Paixões de Benito Prada


Jake (Shining Rock), Moonmilk, 2008, by Ryan Mcginley
"Reinventando o código, a estrutura,
tentar a solução apenas quando
o problema estiver incandescente, ao ponto de a resposta derreter."

Luis F. Adriano Carlos, A invenção do Problema











































































































































Photo by Young Kyu Yoo, (It's not sun of beach)
"Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,
Se por acaso é verdade que inda vivo"

Luís Vaz de Camões




Photo by Young Kyu Yoo, (It's not sun of beach)
"Correm turvas as águas deste rio"

Luís Vaz de Camões


2009 summer dumster pool by Young Kyu Yoo
"este poema não é nada comparado
com a traição de que foi capaz"

valter hugo mãe, "folclore íntimo"

Poema completo aqui






Duality of Man by Carlos Industries
A mala da senhora cai ao chão.
O cavalheiro apanha-a.

- Merci beaucoup.
- Pas de quoi.

Mete-a no cu.
Não cabe cá.

(anedota contada pela tia Paulina)


Adília Lopes in "Obra", Mariposa Azual